15 de abril de 2012

A Velhice da Carol mais Velha e o Encontro com sua Juventude – Hipocondríaca, a síndrome.

-BU!
- Ah! QUEM É VOCÊ?
- Eu sou você.
- Não, eu sou eu.
- Não, eu sou você daqui 40 anos.
- O quê? Como assim?
- Não está reconhecendo o nariz grande e os olhos arrelagados?
- Não, porque seus olhos não são arregalados. E... esse nariz está... enorme.
- Seu nariz cresceu mais ainda.
- Ah vá te catar, mulher.
- Olha aqui esse dedo, lembra? Aquele que você decepou na cadeira de praia quando tinha 4 anos.
- Meu deus. É mesmo. Você então sou.... eu?
- Sim.
- E o que você faz aqui?
- Vim matar a saudades de como você, quer dizer, no caso eu, era.
- Eu vou ficar assim? Com essa barriga?
- Quem disse que você (eu) seria magrinha desse jeito pro resto da vida? Mulher só se lasca, minha filha, os hormônios mudam e a gente vira uma orca. Sem contar que... eu, você, tivemos um filho.
- O QUÊ?! EU NUNCA TEREI UM FILHO!!!
- Sim, você terá.
- NÃO!
- Sim. E somos mãe coruja, ainda por cima.
- DEUS QUE ME LIVRE!
- Na verdade esqueceu um dos comprimidos de anticoncepcional, por isso.
- Esqueci?
- Nós sempre esquecemos das coisas, Carol, e você esqueceu um dia de pegar o George na escola, também, devido ao nosso estresse.
- GEORGE? QUE NOME É ESSE?
- O nome do nosso filho.
- GEORGE? Você só pode estar de brincadeira.
- É o nome do seu sogro.
- EU NUNCA FARIA ISSO!
- As coisas mudam, Carol...
- E... porque... nós... o cabelo... é...
- A moda dos bobs voltaram.
- Você se parece com a Dona Florinda, que coisa HORROROSA!
- Você me acha, bem, você nos acha linda.
- Ah meu deus, o que você veio fazer aqui, afinal? Me assustar?
- Vim lhe dizer que você também ficou intolerante a lactose, sua escoliose piorou e, por isso estamos curvadas, e sua alergia a esmalte piorou tanto que você não pode nem sequer olhar para um vidro dele. Quase perdeu os dedos, menina.
- SAIA DAQUI!
- É que estava com saudades de nós.
- Me diga, quantas doenças mais eu vou ficar?
- Um pouco de síndrome do pânico, devido a violência, você ficou refém de um assaltante no banco. Um pouco de depressão, bem, você deve saber o porque. Muito estresse por causa de todas as mil coisas que, você bem sabe, resolveu querer fazer, e gastrite nervosa, como sempre! E um pouco hipocondríaca!
- SAI DAQUI! SAI, SAI, SAI!
- Carol? O que foi? – Chegou sua mãe intrigada.
- VOCÊ NÃO ESTA VENDO, MÃE?
- Vendo o quê?
- Ela... sumiu.
- Carol? Ela quem?
- Eu. Eu... estava aqui e... Ahhh ela veio me contar que vou ficar esquizofrênica...
- Do que você está falando?
- To falando que tenho que marcar um psiquiátrica pra semana que vem.






Licença Creative Commons
A obra Seja Feliz Com a Carol-ol-ol de Carolina Hanke foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Brasil.
Com base na obra disponível em carol-ol-ol.blogspot.com.

2 comentários:

  1. Muito bom, Carolina.
    Omnia mutantur (tudo muda), por mais que não queiramos.
    Ah, sim, tire essa verificação de palavras que é um saco isso.
    Quando teu blog for atacado por enxames de trolls enfurecidos com teu talento, aí sim odes colocar de volta.
    Abraço.

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